O dia que eu cantei em frente a mais de 200 pessoas

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Por onde começar quando seu dia acaba sendo tão surreal que vc termina cantando pra mais de 200 pessoas?

Bom, beeeem do inicio, certo? Hj foi o aniversario da minha Irmãzinha querida e, estando em Orlando, Flórida, ela queria passa-lo em um parque da Disney para ganhar seu respectivo broche de happy birthday e, consequentemente, receber parabéns de todo o parque. Por questões de agenda, calhou de irmos hoje ao Hollywood Studios, parque mais voltado ao cinema, música e Tv da rede.

Neste parque existe uma atracão voltada a simular episódios de um determinado reality show de canto bem popular nos EUA que nao será nomeado aqui e aparece borrado na foto acima por motivos de copyright bastante reforçados a todos pelo parque desde o inicio.

Os visitantes do parque participam de duas formas: 1) como platéia, na qual assistem a diferentes concorrentes nos vários shows do dia junto a um trio de jurados malemolentes e votam nos seus participantes favoritos de cada show através de uma maquina instalada em suas poltronas; ou 2) como concorrentes do pseudo reality – podendo receber, ao final do dia, um ticket para participar do programa X de verdade, pulando algumas etapas do processo.

Explicado o processo, vamos aos fatos: já que estávamos ali sem nada a perder, resolvemos eu, minha irmã, duas primas e uma madrinha fazer uma “audition” como cantores, just for fun. Well, it turned out a bit more than that.

O primeiro passo eh uma audition em frente a uma “produtor” do programa, no qual vc pode cantar qq música que queira. Entramos todos e, veja só, a moça bondosa passou a mim e a uma de nossas primas a diante. Minha prima, sem saber que eu tinha passado, resolveu desistir pois nao queria seguir sozinha. Fui eu sozinho, então. ( mais ou menos pois minha irma resolveu ficar para apoio moral).

Segundo step: outra audition com um produtor, dessa vez com uma backing track e letras em uma tela – sendo que vc precisa escolher duas musicas para cantar de uma lista. Para minha sorte a música que cantei na primeira fase tinha acabado de ser liberada – 3 dias atras – e poderia usa-lá novamente.

Entrei, o produtor foi mt simpático, mencionou que tinha conhecido outro brasileiro naquele mesmo dia em outra audition, e me fez cantar minha música novamente. Assim o fiz e ele começou a me dar “toques” ensinando a melhorar a música. A coisa começou a ficar preocupante, tudo estava mt serio. Repeti a música. Ele então me disse que tinha um recado para passar de uma pessoa. Eis que surge na tela da tv atras dele a imagem do host oficial do programa em questão, falando mil coisas sobre as chances que as pessoas recebem do programa e td mais. Me preparei psicologicamente para receber o nao, até mesmo pá aquilo td era para ser uma brincadeira – e fui surpreendido mais uma vez por um sim, com um aviso de que cantaria a mesma música no show das 17h – o ultimo do dia antes do que eles chamavam de finale ( com os melhores de cada show, cinco no total por dia).

Aí foi freak out mode on o resto da tarde. Andei pelo parque com um número enorme sinalizando minha participação no brinquedo, além de crachá e bottom fazendo o mesmo. Chegou a hora marcada, voltei ao estúdio e lá fui encaminhado para fazer maquiagem, ajustes de cabelo e ate mesmo para um vocal coach que ajudou durante 10 minutos a fazer ajustes na “performance”. Depois partimos para um ensaio já no palco para, em seguida, cantar em frente a platéia.

A partir dai foi td mt bizarro. O palco era ENORME e IGUAL ao do programa. O host tinha o mesmo tom e fez entrevistas com tds nos ao vivo – eramos 3 no total do meu modulo. Os três jurados tinham o mesmo perfil do painel original. E nos tínhamos quer cantar ali, para mais de 200 pessoas. E isso pq o estúdio nao estava lotado nem pela metade.

Foi tudo MUITO legal e MUITO bizarro, principalmente para quem nunca tinha entrado em um palco. Cantei, mais uma vez, “use somebody”, do Kings of Leon. Tive direito a choro da mãe e da madrinha na platéia e a uma jurada me chamando de hobbit com um pseudo moicano, mas no final estava bem feliz. Nao ganhei meu modulo – quem o fez foi uma americana MT legal e com um vozeirão. Voltei para o finale para assisti-la, mas quem ganhou tudo foi o tal brasileiro que o produtor tinha me falado bem mais cedo, e que tinha uma PUTA voz.

A experiência foi MT bizarra, mas mt legal. Temos provas, porém nao serão divulgadas na rede por motivos legais, mas mostraremos aos poucos a tds. Quero de novo, ganhando dessa vez. Alguém consegue pra mim, por favor? 🙂

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Feliz Hoje!

O Natal já é uma data comercial tão estabelecida que as vezes a gente esquece que nem todo mundo passa da mesma forma.

Tem gente que nem tem um “Natal” propriamente dito. O titulo do post vem de uma variação do que foi dito pelo estagiário da firma, pseudo-muçulmano, ao ser contemplado por lembranças, abraços e desejos de um feliz natal no ultimo dia de trabalho de 2011 – “Eu não comemoro natal, mas, tudo bem, Feliz Amanhã pra você tb!”.

Você poderia também ser um “poser” que adora dizer que o mundo capitalista transformou o dia 25 de dezembro em mais um motivo pra comprar presentes apesar de Cristo, segundo relatos, ter nascido em março. Se caisse no meio da semana, você, “poser”, estaria que nem pinto no lixo porque provavelmente não iria trabalhar.

Para aqueles que comemoram, hj é dia de:

–       cozinha zoneada o dia inteiro e cozinheiras muito ranzinzas.

–       Juntar a familia inteira a noite, e, quem sabe, alguns amigos.

–       Passar pelo clássico amigo-oculto, secreto, ou qq q seja a variação do seu estado.

–       Comer a mesma coisa todo ano e achar, todo ano, que se justificam as calorias.

–    Comer comidas não-tipicas do nosso país, pq papai noel só gosta de cozinha internacional.

–       Falar mal do especial do Roberto Carlos (não esse ano)

–       Falar mal do especial da Xuxa (tem esse ano?)

–    Ouvir a Simone cantando aquela maldita música. Reclamar e cantarolar a letra mentalmente pra não ser julgado.

–       Ouvir as mesmas histórias de família, todos os anos.

–      Fazer contagem regressiva a meia-noite, apesar de em outros lugares do mundo esse horário já ter chego há muito muito tempo.

–        Vestir seu cachorro com uma roupa vermelha.

–        Alguém passar MUITO calor vestido de papai noel.

–       Ganhar alguma roupa de presente que não vai caber em você. Ou ganhar uma meia.

–    Lembrar que vai ter que trocar a porcaria da roupa em um shopping com mais 50.835.679 pessoas.

 Se você se identifica com algum dos itens acima, Feliz Natal pra você, e boa sorte pra passar por eles intacto. Se você não se identifica, Feliz Hoje pra você, de qualquer forma.

Filmes “Maconha no Sol”

Sei que estou devendo um post sobre passeios no Chile, mas vou deixar pra próxima.

Então, vi ontem a noite A Pele Que Habito, o novo filme do Almodóvar. A primeira impressão que você tem quando sai é: Maluco, que troço MUITO DOIDO. Mas aí você lembra que é do Almodóvar e ta tudo em casa.

Eu poderia ficar aqui remoendo todos os detalhes e tentando filosofar em cima disso. Poderia também pensar na resposta profunda da amiga que nos acompanhou e, ao falarmos um “Entra na onda do filme, cara.”, respondeu, revoltada: “To entrando, a partir de agora pode me chamar de Romário, Peixe.”. Mas achei que seria muito mais divertido fazer uma lista dos filmes mais bizarros que já passaram pela minha frente. Alguns deles tão bizarros que eu simplesmente não vi – bastou a sinopse. Lembrando que não estou aqui pra fazer juízo de valor nenhum sobre a qualidade dos filmes – até porque alguns são realmente bons. São apenas filmes que fazem você parar para pensar que, com certeza, quem os criou fez a base de muita maconha no sol.

Conhecem mais algum??

1 – A pele que habito

Sem entregar muito do filme, já que ele está em cartaz: um pseudo-estupro, um transplante facial, dois irmãos que não sabem que o são, uma orgia na floresta, 3 assassinatos, 2 suicidios, um cirurgião plástico, uma mudança de sexo, uma fantasia bizarra de tigre. Não necessariamente nesta mesma ordem, claro. Afinal, estamos falando de Almodóvar.

2 – Quero ser John Malkovich

Cameron Diaz com um penteado afro, viciada em permanecer (literalmente) dentro da cabeça de um ator de Hollywood. Ok, then.

3 – Vanilla Sky

Você vira pro lado e, então, sua mulher se transforma em outra. Poligamia pra que?

4 – Inteligência Artificial

Então, você é um robô (ou um robô-criança, o que desejar). No seu mundo, só você da sua espécie tem sentimentos. Mas, aí o restante das máquinas resolve dominar geral e o mundo acaba. O que fazer? Não se preocupe, a Fada Azul vem te salvar. Oi?!

5 – Matrix

Você acorda, toma o remédio errado e, de repente, você se fodeu e caiu num mundo que tem vários bebês enlatados, todos são furados, ninguém pode se atrever a atender um telefone, aprende-se a pilotar um helicóptero em questões de segundos, as balas param no ar, e é extremamente proibido vestir algo diferente de sobretudos pretos e óculos escuros. Principalmente vestidos vermelhos.

6 – Brilho Eterno de uma mente sem lembrança

Ace Ventura fazendo drama – começa por aí. Adiciona a Rose de Titanic com um cabelo azul (ou laranja) e você pode abrir a próxima porta dentro de casa sem medo: vc vai cair em uma praia.

7 – Réquiem para um sonho

É a velhinha drogada, o Jared Leto e a moça futura-mulher-do-Hulk-e-do-mente-brilhante lançando a moda das drogas muito antes do tapa na pantera.  E tome close de olho!!!

8 – A origem

Deixa eu ver se eu entendi: se eu sonhar cinco vezes dentro de uma mesma noite eu me fodi e não acordo mais, né? Se tocar uma musica clássica, então, fodeu bicicletinha pq meu mundo ta caindo e nem o arquiteto que fez o meu sonho (que não sou eu) pode fazer brotar o chapolin que eu não me salvo mais, certo? Tudo que eu sei de verdade é que o Leonardo DeCaprio tava dormindo porque o peãozinho dele não caiu (ou caiu?).

9 – Um cão Andaluz

Uma mulher tem um olho cortado por uma navalha por um homem. Daí tem formigas que saem da mão deste mesmo homem. Precisa dizer mais alguma coisa?

10 – Alien Lésbica Solteira Procura

Com vocês, a sinopse: “Zoinx, Barr e Zylar são alienígenas lésbicas do planeta Zots. Elas vêm à Terra com a” missão de se envolver com terráqueas e sofrer decepções amorosas, para que suas emoções excessivas não destruam a camada de ozônio de seu planeta. Em Nova York, Zoinx conhece Jane, uma atendente de papelaria, com quem inicia um romance. Jane não faz ideia de que Zoinx é extraterrestre, e se vê repentinamente envolvida numa perseguição de agentes do governo. Enquanto isso, Barr se sente sozinha ao ver Zylar se aventurar na cena lésbica da cidade.”. Case Closed. E essa é uma inserção patrocinada por Carolinne Spiegel.

Santiago – Eating.

Um dos maiores prazeres – senão o maior – que descobrimos em Santiago foi saciar o pecado da gula. Entre uma empanada e outra – seja ela uma empada, um pastel ou um salgado de massa folhada – comemos muito bem. Claro que isso não teria acontecido sem as melhores indicações da vida. Vamos aos fatos!!!

– Patio BellaVista – um conglomerado de bares/restaurantes que fica no bairro de BellaVista, na Calle Constitucion. É nessa redondeza que fica o famoso Como Água para Chocolate – que nós acabamos nao indo. Lá, entretanto, fomos no Pub Dublin (onde se deve manter apenas a sequencia de Chopps – os drinks não são muito bons) e no cafe Cienfuegos – que tem umas tortas e cheesecakes maravilhosos. Perfeito pra um chocolate quente no meio da tarde. Nessa mesma rua fomos também no restaurante Galindo, onde comemos MUITO. Os pratos são MUITO bem servidos. comemos uma parrillada só para três, depois de um prato de frios de entrada que não conseguiu ser finalizado, de tanta comida. Além disso, fomos no bar/lounge Constitucion, um ligar que tem uma porta de deposito, sem nenhum letreiro ou numero sinalizando sua entrada. Tem um ambiente legalzinho, que depois de certa hora tem suas mesas retiradas e se transforma em uma pista de dança. Na noite que fomos o DJ não batia muito bem, mas mesmo assim o ambiente é bacaninha. Ao sair deste conglomerado boemio a noite, cuidado com os taxistas que ficam parados nas esquinas. Você pode entrar no carro e dar de cara com uma marola inconfundivel e correr sérios riscos de vida no caminho de casa. Just saying.

Eu e Mrs Bastos no Cafe Cienfuegos, Patio BellaVista

– Liguria – um restaurante com decoração totalmente alternativa, com posters espalhados por todas as paredes e guardanapos quadriculados – que me lembrou muito o Esquisito, de São Paulo. O cardápio parece um livro de cordel e eles tem uns petiscos (como o parmesao com oregano) deliciosos, além de uma carta de vinhos excelente – e barata.

Clo autista no Liguria

– Mercado Central – Uma peixaria tamanho familia, fedorenta, com uns tres restaurantes no meio. Depois de encontrar um individuo de Vila Valqueire trabalhando em um dos restaurantes, resolvemos comer em outro, o Donde Augusto. A comida – a especialidade é, obvio, peixes e frutos do mar, mas tem opções de carne e frango tb – é boazinha, mas o serviço é bem fraco. Além disso, uma dupla de musicos locais formada por um cego e um menino muito do maldito – pois deixou o pobre cego cantar virado para uma parede o tempo todo – ficou tocando o almoço inteiro aquela musica que realmente só os locais gostam.

Já que o Mercado é uma bosta, vamos tirar uma foto com as montanhas no fundo pra salvar a paisagem.

Zanzibar – o restaurante, localizado em outro complexo gastronomico/boemio, em Vitacura, é LONGE PACAS. Mas vale todo o esforço. Com uma decoração incrivel, super confortável, serviço de primeira e comida MARAVILHOSA, o restaurante vale cada um dos seus muitos centavos da conta. O Cardapio é formado de comidas do mundo – e é do mundo MESMO, tem pra todos os gostos, francesa, chilena, tailandesa, etc. E tem uma sobremesa que é um combo de chocolates que é uma tristeza.

Zanzibar

– Bar Nacional – restaurante muito tradicional, bem no centro de Santiago. É bem bem simples, mas a comida é muuuito boa e tem uma carta de vinhos baratinha tb. Vale para comer um bife com batata frita muito bem servido. Para almoçar, é bom chegar por volta de 12h porque depois enche bem.

Restobar KY – Este restaurante de nome muito peculiar leva sua propria piada mais a sério ainda pois fica localizado na Av Perú e nos fundos de uma casa, completamente escondido: como o bar Constitucion, não possui placas, numeros ou letreiros indicando sua entrada. Precisamos ser direcionados a ele por um guardador do estacionamento ao lado. Entretanto, quando entramos, passamos para praticamente outro mundo. Vários comodos diferentes, para reuniões mais reservadas, com uma decoração que lembrava muito ao mundo de Alice – espelhos, sofás enormes, e muitas coisas extremamente psicodélicas – very cool. A comida, mais uma vez, era maravilhosa – das entradas até a sobremesa -, mas os vinhos eram extremamente caros. uma saida boa é a Piña Colada, deliciosa e servida em praticamente um balde. A conta é bem salgada, mas vale a pena também.

Restaurante Kaleuche (Isla Negra) – Este fomos no passeio a Isla Negra, pois a opção de restaurante que a agência nos levaria estava fechada. Melhor assim. o restaurante tem uma vista linda, de cara pra praia, uma fachada muito bonita e um ambiente gostoso, comida boa e simples e, para quem gosta, aparentemente um pysco sour muito bom (not my thing).

Eu e Mrs Spiegel no Restaurante Kaleuche

Próximo e último post – turistando fora de santiago!

Santiago.

Um Cerro Muito Alto - Santiago

O Blog andou meio parado por motivos nobres – leia-se, férias.

Para resumir o que passou-se nesse momento, virão três posts separados, sendo este o primeiro deles. Passei 9 dias na capital do Chile, Santiago, com duas companhias passáveis e, mesmo assim, gostei mt da experiência. (just kiddin, meninas). Santiago é uma cidade bem bacana, mas é sempre bom quando as indicações de lugares a visitar são boas também. É sempre bom alguém ir na sua frente de cobaia pra que depois você só aproveite as coisas boas =D.

A impressão que ficamos é que os chilenos, de um modo geral, são extremamente agradáveis e educados, o que tb ajudou para melhorar a imagem da cidade. Comemos extremamente bem (detalhes em outro post sobre isso), fizemos alguns passeios bacanas e outros nem tanto (outro post). O custo de tudo na cidade é mt parecido com o que pagamos no RJ ou em SP, com o agravante das notas todas terem 3 zeros a mais. Pelo menos conseguimos achar vinhos baratos e bons. Mas falemos, agora, sobre Santiago. O tempo que ficamos foi suficiente para fazermos tudo que queriamos, com calma e nos dando ao luxo de não fazer absolutamente nada em alguns momentos.

Ficamos no Apart-Hotel Vegas, que fica bem proximo do centro, porem não o suficiente para atrapalhar nosso precioso sono (isso ficou a cargo de uma enorme obra ao lado da nossa janela). O apartamento era bem confortavel – o hotel não oferecia café, mas tinhamos uma estrutura de cozinha no quarto. No primeiro dia saimos para desvendar o centro da cidade, bem proximo do nosso hotel, e de cara já encontramos alguns pontos turisticos – A Casa da Moeda – que tinha uma exposição sobre brinquedos naquele momento -, a Praça das Armas, a Catedral Metropolitana e o Museu Histórico Nacional.

Não entramos na exposição da Casa da Moeda, mas a bandeira Chilena gigantesca localizada na parte de trás da construção, no meio de uma das principais avenidas da cidade, é impressionante e consegue ser vista de vários locais da cidade.

A Praça das Armas estava entupida de gente e de barracas. Ou seja, não deu pra ver muita coisa dela. Aproveitamos para comprar o ingresso do dia seguinte para o City Tour com o onibus vermelho a la londres – vendido por um pobre coitado que era obrigado a andar com uma placa enorme presa as costas com “Turistik” gritando acima de todas as 3892 cabeças da praça.

A catedral é realmente muito bonita. Ficamos pouco tempo dentro dela, mas foi o suficiente para encontrarmos um casal de brasileiros típico, tirando foto com sua máquina poderosa, de flash ligado. Mrs Carolinne aplicou a gentileza que lhe é peculiar e deu um toque nos individuos, avisando que só poderiamos tirar foto sem flash, e teve como resposta um doce “ah, agora já foi”. Antes que o sangue militar de Sra Sipegel aflorasse mais um pouco, saimos do recinto em direçao ao museu, localizado na mesma praça.

No museu encontrava-se uma exposiçao de comemoraçao de algum aniversario do próprio museu, com alguns itens bacanas, tipo os oculos de Allende, achados depois dos atendados a casa da moeda em 11 de setembro (medo dessa data). Fomos, também, no Mercado Central – que não passa de várias barracas de peixes e frutos do mar amontoados com alguns restaurantes no meio.

Nos dias que passaram fomos a alguns Cerros que dão uma vista bem bonita da cidade. Em um deles sofremos uma invasão de praticamente uma cidade inteira de japoneses, que chegaram sutilmente arrotando e, com isso, nos expulsando. Fomos também ao Parque Arauco, um mega shopping com lojas de departamento, vários restaurantes e até mesmo um conjunto de prédios focado em decoração. Não nos ocupamos muito ali.

Além disso, fizemos alguns passeios mais “locais”, como a visita ao Zoo da cidade e a um parque de diversões. Este último fomos para tentar promover um reencontro entre Mrs Spiegel, Mrs Machado e Conga a mulher-gorila. Aparentemente o parque é uma atração muito popular entre os locais, pois pegamos filas imensas nos brinquedos, inclusive na Monga, prima de Conga. O reencontro, entretanto, foi muito frustrante, pois, aparentemente, a Conga brasileira consegue ser mais tosca do que a que vimos e, pelo que entendi, isso é uma coisa boa. Oo. Fora isso, o parque foi um passeio diferente e bem bacana, onde quase não encontramos brasileiros e conseguimos reviver nosso espirito infantil adormecido, com direito a bate-bate, montanhas russas e pseudo-“kabuns” da Terra Encantada.

Na cidade fomos também a dois outros museus, o de Bellas Artes e o de Arte Contemporânea, além de uma das casas do escritor Pablo Neruda. O museu de BellasArtes era bem pequeno, porém com alguns quadros e estatuas interessantes. Vimos uma exposição do quase primo Degas e suas bailarinas bem bacana, e uma instalação sobre galileu que envolvia varios globos rodando em cima de vitrolas que simbolizava alguma coisa extremamente profunda. Ficamos elocubrando neste espaço especifico por alguns segundos, mas mesmo assim, minha inteligencia não alcançou, mais uma vez, a arte Contemporânea.

Partimos entao para o Museu de Arte Contemporânea, que foi onde a coisa realmente ficou complicada. Vou mostrar apenas um exemplo, abaixo, do que encontramos. A conclusão que eu e Mrs Spiegel chegamos é que se trata de um senhor parindo uma garrafa em celebração de sua cirurgia de mudança de sexo performada pelo oposto da fada azul, que não possui um dente. Entendemos o buraco no meio da tela como sendo o “vazio” em que o homem sentia por estar preso ao corpo errado, que, agora, se dissipava. Com certeza existe alguma explicação bem mais plausível que essa, só que nós preferimos não saber.

Algo que eu nunca vou entender.

A Casa de Neruda localizada em Santiago (ainda possuem duas outras, uma em Isla Negra e outra em Valparaiso, que falarei em outro post) é bem bacaninha, Nas casa dele você sempre entra acompanhado de um guia turistico ou de um aparelho daqueles que explicam tudo que você vê, o que torna a visita sempre mais interessante. A conclusão geral é que Neruda guardava tudo que encontrava pela frente, mas, mesmo assim, conseguiu montar algumas casas bonitas. Esta, nesse caso, foi construida para manter sua amante que viria a se tornar sua ultima esposa, Matilde.

Casa de Neruda - Santiago

Próximos Posts – Passeios fora de Santiago e Onde Comer!

Nostalgia.

Hoje tive mais uma vez que responder a uma pergunta que sempre me dá uma sensação meio esquisita: “profissão?”. Ainda não me acostumei a responder “Publicitário” e não aquele eufemismo pra “vagabundo” que respondia até alguns anos (pois é, anos) atrás (“estudante”, claro). É aquele tipo de coisa que te prende a infância mas você nunca percebia até o momento que a sua resposta muda.

De qualquer forma, sempre que essa pergunta chega eu paro pra pensar o quanto tempo já passou MESMO. Há dez anos atrás, onde você estava? Eu, por exemplo, estava começando o segundo semestre da minha oitava série. Sério. Depois disso, passaram um outro colégio, uma carteira de motorista, dois carros e algumas batidas e multas no meio do caminho, uma faculdade inteira, 4 meses morando fora do país, um estágio – que acabou virando dois anos e meio (and counting) de emprego e, pasmem, uma festa de quinze anos da minha irmã, que, obviamente, tinha CINCO anos naquela época. Muito medo disso tudo.

Pior do que isso é lembrar que naquela época eu jogava mega drive, afundando os dedos no controle pra ver se o maldito do Sonic corria mais do que o possível e hoje eu tenho amigos quebrando o teto da minha casa quando o controle do Wii escapa da mão deles enquanto simulam um jogo de boliche. Porque a gente balança a mão do lado de fora e o carinha (igualzinho a você, aliás) dentro da televisão imita seu gesto. Sério. Meu eu de 10 anos atrás ia pirar com um negócio desses.

E, dez anos atrás, a gente comprava casquinha no McDonald’s por R$0,50. 10 anos atrás eu não tinha nem Orkut, quem dirá Facebook, twitter ou blog. Corria pra assistir Cavaleiros do Zodíaco na – meu deus – TV Manchete. Jogava Carmen Sandiego no computador (se é que aquilo podia ser chamado de computador). Aliás, a gente usava um disquete pra jogar Carmen Sandiego. A gente comia chiclete Bolin Bola. Jogava Comandos em Ação da varanda de casa com um saco plástico brincando de pára-quedas. A gente “soltava saco” como se fosse pipa da varanda e achava maneiro.

Dai vc vai um pouco mais atrás e lembra que assistiu vovó mafalda cantar “tumbalacatumba“: um travesti que apresentava programa de criança cantava uma musica sobre caveiras saindo de uma tumba e ninguém falava um “ai” sobre isso. Eu vi a Xuxa sair de uma nave espacial – e achava super normal. Vi TV Colosso, um programa apresentado por cães de pelúcia capitaneado por Priscilla. Eu vi Alladin no cinema. Li 1389 revistas da turma da mônica – na minha época, eles nunca saiam da infância e ninguém tinha problema com isso. Hoje, eles são adolescentes e a revista virou anime pseudo-japones, onde eles enfrentam batalhas intergalácticas (oi?). Eu brinquei de pique-bandeira, elefantinho colorido, pique-esconde, detetive de papel, gato mia, adoleta, super trunfo, cama de gato (o jogo sem fim composto de elementos muito complexos: quatro mãos e um barbante), pique cola americano (que porra de nome era esse??) e rodei pneu que nem um retardado no quintal da escola. E achava o máximo.

Eu vi o Senna correr. Eu vi Senna bater. Eu vi o Brasil ser tetra e, provavelmente, vem daí meu odio pelo Galvão. Eu ouvi MUITO mamonas assassinas (gênios e completamente pornográficos. E, mais uma vez, ninguém falava um “ai” sobre isso). Em compensação, eu presenciei o nascimento do fenomeno “É o tchan”, com suas cinco loiras, sete morenas, 10 ruivas e um unico dançarino homem que parecia acreditar durante anos que aquele era um emprego digno até que saiu e foi trabalhar na TV como pseudo-comediante, na turma do Didi. Eu vi as torres caírem durante um dia inteiro na TV e, daqui há duas semanas, isso vai fazer exatamente 10 anos.

É, passou tempo pacas.

Pequenas coisas.

É impressionante como as pequenas coisas ganham uma importância enorme na vida da gente.

Tanto para bem, quanto para mal, claro. Porque às vezes uma mensagem ou um e-mail de um amigo, de graça – pode ser curtinho mesmo, só te lembrando que ele existe – pode salvar seu dia. Em compensação, se bobear, um maldito pedaço de grama no lugar errado consegue acabar com esse mesmo dia em 2 segundos. Descobrir que você ganhou o direito de imprimir colorido no trabalho pode te levar ao céu. Em compensação, pode te lembrar que, pra ficar feliz com isso, sua vida social com certeza é nula.

Às vezes, o verso de uma música pode te levar pra outro lugar. Tem dias que você só precisa que te lembrem que, em algum momento, os dias de cão vão passar ou que você tem todo direito de estar errado.

Tem horas que tudo que a gente precisa é de companhia. Seja pra tomar coragem de terminar aquele e-mail insuportável que você está escrevendo há 3 horas e meia, ou então pra te dar aquele empurrãozinho mais do que necessário pra perder a massa do almoço na academia.

Claro que as pequenas coisas insuportáveis são sempre as piores. O arranhão no óculos que fica na sua frente O DIA TODO. Sair pro banheiro, voltar pra sua baia e encontrar aquela pessoa insuportável na sua cadeira, fazendo uma reunião “rapidinha”, que vai durar, acredite, no mínimo 40 minutos. Cheiro de tangerina no andar (ps: essa é pra identificação alheia, porque a tangerina é sempre minha).

Falando em pequenas coisas, será que é muito grave lembrar que você não fez seguro saúde faltando uma semana pra viajar pro exterior? Shit. Essa culpa vai pra conta das companheiras de viagem. Ah, quem precisa de seguro saúde quando se tem vinho no seu destino?