A opinião de um cético

candelaria     yuri_doiemtodosnos

 

Muito prazer, eu sou uma das pessoas mais céticas que você vai conhecer, principalmente quando o assunto é política. Eu sou um daqueles amigos que fica quieto na mesa de bar quando o debate fica acalorado entre os amigos de ideais explícitos. Aquele que os mais engajados reclamam que nunca sai da frente do computador pra “fazer a mudança acontecer”. Sou daqueles que não tem paciência pra essas coisas. Não tenho conhecimento politico profundo e atualizado e, admito, nunca achei que fosse necessário.

Tudo começou a mudar com protestos contra o aumento das passagens em algumas capitais há alguns dias . A policia se manifestou, a imprensa se meteu e, de repente, a coisa começou a ficar feia e uma frase levou o rebuliço a decima quinta potência – seria tudo isso apenas por uma mudança de R$0,20 nas passagens de ônibus?

E aí, a internet transformou o que era um protesto por uma causa especifica em um movimento gigantesco. A história começou a ser retratada na linguagem das redes sociais – hashtags-resumo como #ogiganteacordou, #mudabrasil e #vemprarua não paravam de nascer. No meio disso tudo, nossa digníssima presidente foi vaiada (com força) na abertura da Copa das Confederações. E, então, o país resolveu mostrar que definitivamente não era mesmo só por conta dos benditos R$0,20.

Sempre achei muito bacana aquelas casas americanas com bandeiras do país na porta. O patriotismo norte americano chega ao ponto de ser exagerado as vezes, é claro, mas é realmente admirável. A eleição americana não é obrigatória e, mesmo assim, muitas pessoas vão as urnas, por exemplo.

Por outro lado, a maioria de nós brasileiros com certeza não votaria se tivesse a chance. Muitos de nós (eu tb) sempre tivemos a mania feia de justificar que nada no Brasil funciona ou jamais mudaria porque, afinal, aqui é Brasil, o país do jeitinho, dos políticos corruptos, dos estádios gigantescos, do imagina na copa”, dos mensalões e que as CPIs sempre acabam em pizza. O nosso patriotismo sempre foi resumido como um patriotismo de eventos esportivos: somos brasileiros, com muito orgulho e muito amor apenas nos cantos de estádios em jogos de copa. E, sinceramente, a meu ver, isso não mudaria tão cedo. Ontem, uma luz no fim do túnel, apesar de ainda fraca, se acendeu.

No final do dia de ontem, 17 de Junho de 2013, centenas de milhares de pessoas se organizaram e foram as ruas protestar, em várias capitais do país. Dá pra dizer muita coisa sobre esse evento – sim, muita gente nesse grupo enorme não usa e não pretende usar ônibus tão cedo. Muita gente nesse movimento enorme não necessariamente entendia muito bem o porque está ali. Algumas pessoas (bem, bem poucas) estava ali pela baderna. Mas, mesmo assim, muita gente estava ali pra se fazer ouvir. E é tudo bastante impressionante.

A capacidade de união que o povo mostrou impressiona todos os céticos não-politizados como eu. Apesar de alguns poucos babacas tentarem estragar o momento apedrejando prédios históricos, a enorme maioria lotando as ruas com chuva de papel picado, cantando o hino nacional e até mesmo ocupando o congresso nacional, tudo em sua maioria de forma pacífica, enche o peito de todos nós de orgulho. Finalmente somos brasileiros pelo nosso país e não apenas pelo nosso futebol.

Talvez isso tudo impressione e surpreenda tanto porque há muito muito tempo todos nós viramos céticos até demais. Dentro de uma geração inteira, poucos ligam pra politica porque no meio do caminho a corrupção virou default e a esperança de que algo mudasse virou quase uma arara-azul. Ser político virou profissão de ex-bbb, jogador de futebol e cantor de musica brega em busca de estabilidade financeira. E aí a coisa desandou.

Por isso mesmo, se a ideia é tirar o povo td de casa e ressuscitar a fé na política, é extremamente importante que esse movimento não morra em uma semana, que não seja apenas mais uma “modinha”, mas sim uma mudança de pensamento. Ainda não me iludo de que tudo vai mudar de uma hora pra outra ou que vá mudar at all – não é assim que a banda toca. Mas agora alguma coisa pelo menos PODE acontecer. De qualquer forma, os ideais pelos quais se lutam ainda precisam ser definidos de maneira mais clara.

Sim, é contra a corrupção. É contra os gastos absurdos pela Copa no país. É a favor da educação e da saúde pra todos. É, principalmente, a favor de um país que consiga fazer os não-politizados como eu se converterem e terem vontade de se sentirem representados novamente. É uma tentativa de construir um país que todos coloquem as bandeiras nas suas portas e votem por vontade própria e não por obrigação. E, sim, também é por causa dos R$0,20. No final das contas, entretanto, a revolução tem que impactar nas urnas – mesmo que as opções atuais sejam bem complexas e a missão de mudar, quase impossível. Mas não custa tentar fazer história, né?

Vai ser bom pra cacete ver esse dia nos livros de história daqui a alguns anos como o dia que #ogiganteacordou. Vamos ver se ele levantou e voltou logo depois pra hibernação dele, mas por enquanto, tá bem legal de se ver. Vamos ver também, se o titulo do capítulo deste livro vai ser “O Movimento dos R$0,20”, o que seria uma pena. Por uma falta de nome melhor, poderia até ser “O Movimento pelo Movimento”: o dia em que todos saíram a rua, acima de tudo, para protestar pelo direito de protestar. Como diz mais um dos bordões que circula por aí, tomara mesmo que esteja acabando a inércia. Se tudo der certo, estamos realmente, em progresso. #mudabrasil #doiemtodosnos #vemprarua #ogiganteacordou

bandeira

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2 respostas em “A opinião de um cético

  1. “A Revolta do Vinagre!”

    Cara, vamos um passo de cada vez, começando pelo transporte:
    – Engarrafamentos
    – Motoristas de onibus transloucados, sufocados por empresas exploradoras
    – Corrupção desenfreada entre governo e máfia dos transportes
    – Transporte de nível África e preço nível Europa

    Proposta de solução pelo Movimento Passe Livre:
    – Catraca Livre.

    Pode soar utópico, mas em SP custaria R$1,64 POR DIA POR HABITANTE! Bem menos que os preços exorbitantes de hj, né? Claro, pois as empresas não lucrarão mais. Assim se reduziria a cobrança sobre os motoristas, que poderiam ser funcionários públicos como são os garis, os guardas municipais etc… Com catraca livre, mais gente vai andar de busao-trem-metro e as ruas ficarão mais vazias! Menos transito, mais segurança pra andar de bicicleta e a pé… E ainda vai sobrar $$ pro brasileiro comprar mais, sair mais e pagar mais impostos, o que acabará financiando o próprio transporte.

    Bjo e parabéns pela postagem!
    *orgulho*

  2. Breno, muito bom sempre, deveria fazer profissionalmente J

    Está faltando sua viagem com a Talita J

    BJS

    Mae

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